


Estou a reviver um passado alegre do carnaval na Bahia , no meu tempo de adolescente, cujo título é "A visita dos mascarados" . Tempo da inocência, em que o Careta era aquele indivíduo que vestia uma máscara de malha preta, com orelhas, nariz, boca e olhos coloridos bizarros, fantasiados de palhaços ou vestidos de mulher. Confiáveis, entravam nas casas conhecidas sem nenhum receio e perguntavam com uma voz disfarçada:
" Você me conhece?" Sempre em bando, eles já eram esperados pelos moradores. Na maioria das vezes os identificávamos através de alguns detalhes, como por exemplo uma perna arqueada e cabeluda, se estavam vestido de mulher; ou cor dos olhos, azuis ou verdes, por trás das máscaras.
- É fulano! É beltrano! Diziam os moradores. Eles traziam instrumentos como pandeiros, tamborins, reco-reco fazendo o maior barulho, cantando as marchinhas de carnaval da época, principalmente as de dúbio sentido. Na minha casa isso sempre acontecia às terças-feiras de carnaval. Eram tios, primos e amigos mascarados. Então, a festa acontecia com cerveja e feijoada. E, como essas máscaras eram muito calorentas, o jeito era suspendê-las e mostrar a verdadeira face antes de serem descobertos. E a gozação era geral.
Saudades de todos eles.